A pesquisa tem como objetivo conhecer o ecossistema do design em Salvador e região metropolitana visando auxiliar no planejamento de estratégias para proposição de inovação na economia local. Coordenada por Erica Ribeiro de Andrade e Taygoara Aguiar, a pesquisa conta com a participação de profissionais da área de design, estudantes da graduação e consultores. Partiu-se da experiência acadêmica e profissional de seus atores principais em relação ao cenário do design local, que, apesar de esforços em diferentes momentos e por diferentes agentes, ainda é pouco conhecido em sua totalidade. Algumas questões de partida da pesquisa são: Como está a prática de design na cidade e região? Que tipos de organizações utilizam design e como? Como o design pode contribuir para a economia local?
Consideramos, a partir dessas primeiras reflexões e constatações, que é preciso tornar visível e tangível a dinâmica do mercado local que envolve design em seus mais variados aspectos. Ou seja, é necessário conhecer como profissionais e empresas de design se organizam, desde a formação até a atuação no mercado, mas também, conhecer como a economia local está organizada e o quanto absorve esta área.
Acreditamos que a pesquisa possui potencial para contribuir com diferentes agentes da sociedade, desde estudantes de design, professores e pesquisadores da área, instituições de ensino, profissionais da área, agências e estúdios, empresas de diversos segmentos, entidades de classe, poder público e a população em geral. Tendo em perspectiva que design pode ser uma área estratégica para gerar inovação e desenvolvimento local, as informações consolidadas pelo ECOSSISTEMA DESIGN SALVADOR servirão como base para a ações futuras.
JUSTIFICATIVA
A sociedade mundial vem sofrendo, há alguns anos, os impactos da crise econômica global do capitalismo, identificada como tendo início em 2008. Agravando este cenário de crise econômica, o mundo está, desde janeiro de 2020, imerso na pandemia do novo coronavírus (COVID-19), que acelerou e agravou a crise econômica especialmente em decorrência das necessárias medidas de isolamento social para contenção do contágio. No Brasil, apesar das medidas emergenciais tomadas por governantes e sociedade civil organizada, muitas pessoas, de diferentes classes sociais e segmentos profissionais, estão sentindo os impactos da crise com redução (e em muitos casos, suspensão total) de ganhos financeiros. Obviamente, as populações mais pobres, com menos acesso a postos de trabalho, que atuam economicamente de forma autônoma e informal, são as mais atingidas. E para essas populações estão sendo tomadas medidas de auxílio financeiro emergencial governamental, mas que não demonstraram surtir o efeito esperado, que era manter as pessoas em casa, em um isolamento mínimo, com recursos financeiros para sobreviver. Da mesma forma, é visível o impacto da crise econômica sobre segmentos considerados não essenciais neste contexto e que foram os primeiros a fechar suas portas, tais como restaurantes, salões de beleza, cinemas, teatros, museus, shopping centers, agências de viagem e turismo, dentre outros.
Outro aspecto relevante para o empreendimento nesta pesquisa é a dificuldade em obter informações atualizadas e contextualizadas sobre o mercado de design local. Não possuímos relatórios sobre quantos profissionais atuam na área, que segmentos do design são os mais desenvolvidos, que tipos de empresas utilizam design e com que frequência, que políticas públicas voltadas para o desenvolvimento local englobam design como uma área estratégica. Para responder a estas questões a pesquisa se debruça sobre a economia da cidade de Salvador e região e suas oportunidades para a área de design, o que estamos tratando aqui de um Ecossistema do design em Salvador. Para além da situação emergencial, queremos conhecer o cenário atual desse ecossistema e projetar possibilidades de inovação e ampliação da atuação em design na cidade voltado para o desenvolvimento local.
Para alcançar esse objetivo, é preciso mapear o ecossistema do design local, tarefa desafiadora, uma vez que tal diagnóstico ou não existe ou está invisibilizado. Realizar esse diagnóstico é fundamental para o planejamento das ações que irão contribuir com a promoção da inovação. Com ele queremos conhecer como se configura o design soteropolitano. Quais são as habilidades técnicas, metodológicas e mercadológicas desses profissionais. Como estão organizados. Que renda conseguem gerar com sua atuação.
Da mesma forma, é preciso identificar os segmentos do mercado local com os quais os profissionais de design podem atuar, tanto no curto prazo, visando geração de renda imediata, como no longo prazo, fortalecendo o mercado local de design, com vistas à inovação. Este diagnóstico possibilitará identificar as relações atuais entre diferentes atores do ecossistema de design local e as possibilidades de novas interações e colaborações, gerando novas oportunidades de negócio.
ABORDAGEM METODOLÓGICA
1. Pesquisa Piloto
A pesquisa surgiu de inquietação pessoal e acadêmica frente aos impactos imediatos da crise do novo coronavírus. Foram acionadas, via contato direto, alguns profissionais de design para pensarmos formas de enfrentar esse novo contexto. Nossa proposta inicial tinha como objetivo: Construir uma rede colaborativa de designers locais que promova inovação em produtos, sistemas e serviços. Desde o início, estamos contando com as valiosas consultorias de Ítala Herta (do Vale do Dendê) e Lívia Fauase (da NonStop), que têm nos ajudado a pensar de forma dinâmica e a partir da realidade dos empreendedores e criativos.
Para alcançar este objetivo, optamos pela abordagem metodológica baseada em métodos ágeis de forma cíclica (Figura 1). O motivo desta escolha pouco ortodoxa foi desenhar um arcabouço metodológico para uma investigação que precisava coletar, analisar e gerar resultados teóricos e práticos em curto espaço de tempo, mas que seria também continuada. Dessa forma imaginávamos ser possível responder às questões de curto prazo, ou seja, a emergência da crise do COVID-19, assim como, as questões de longo prazo, mudanças significativas no cenário econômico local.
Figura 1. Abordagem Metodológica

Fonte: os autores (2020)
Como entrega tangível, a pesquisa pretendia desenvolver, a título de experimentação, uma proposta de rede piloto com designers e fornecedores de segmentos afins, podendo, assim, testar cenários reais de geração de renda no curto prazo e de inovação nos médio e longo prazos.
Após o primeiro ciclo, que nomeamos de MVP1 (Mínimo Produto Viável), percebemos que a nossa atual estrutura enquanto equipe de pesquisa não teria condições de chegar nos resultados de curto prazo e, portanto, decidiu-se rever os objetivos da pesquisa e os procedimentos metodológicos a fim de gerar um esforço investigativo com resultados viáveis. Dessa forma, transformamos o MVP1 em uma pesquisa piloto que nos ajudou a reorganizar os objetivos da pesquisa e gerar uma nova abordagem metodológica, que está em andamento.
Os resultados desta pesquisa piloto está disponível na seção RESULTADOS PRELIMINARES.
2. Procedimentos Metodológicos
Tendo em vista seu objetivo geral, Conhecer o ecossistema do design em Salvador e região metropolitana visando auxiliar no planejamento de estratégias para proposição de inovação na economia local, traçou-se os objetivos específicos e os procedimentos metodológicos (Quadro 1) para a execução da pesquisa. Partiu-se de uma abordagem quali-quantitativa, uma vez que a pesquisa pretende alcançar informações com base estatística, representativa de amostragem no espaço geográfico escolhido, com qualidade nas informações coletadas, ou seja, detalhamento e aprofundamento de informações com possibilidade de análises contextualizadas e inter-relacionando seus diferentes aspectos.

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